Posted by & filed under Artigos.

O reconhecimento facial deixou de ser uma tecnologia restrita a aeroportos e órgãos públicos. Hoje é utilizado para controle de acessos prediais, registro de jornada de trabalho, autenticação de usuários em aplicativos, enfim, em diversos setores e, quase sempre, com a finalidade de prevenção a fraudes. Apesar dos benefícios operacionais, a utilização dessa tecnologia exige cuidados jurídicos relevantes. A LGPD classifica dados biométricos, quando vinculados a uma pessoa natural, como dados pessoais sensíveis. Isso significa que seu tratamento demanda requisitos mais rigorosos, maior transparência e controles específicos para reduzir riscos aos titulares.

Por que dados biométricos recebem proteção especial?

Os dados biométricos possuem uma característica que os diferencia de outras informações pessoais: eles são únicos e permanentes. Ao contrário de uma senha, que pode ser alterada em caso de vazamento, uma característica biométrica acompanha a pessoa durante toda a vida.

Por isso, um incidente envolvendo reconhecimento facial pode gerar consequências muito mais graves. É justamente essa sensibilidade que levou a LGPD a restringir as possibilidades de uso desses dados e exigir cuidados adicionais no tratamento.

Em outras palavras, utilizar reconhecimento facial apenas por conveniência ou porque a tecnologia está disponível não é suficiente para justificar seu tratamento. A empresa precisa demonstrar necessidade, proporcionalidade e conformidade com a legislação.

Quando reconhecimento facial é permitido?

A LGPD não proíbe o uso de biometria. Porém, cada operação deve possuir uma base legal válida e demonstrar que o tratamento é necessário e proporcional. Esta análise é feita através do Relatório de Impacto à Proteção de Dados (RIPD).

Em muitos casos, a empresa deverá avaliar se existem meios menos invasivos para atingir o mesmo objetivo. Além disso, é fundamental que os titulares sejam informados, de forma clara e acessível, sobre quais dados serão coletados, por qual motivo, por quanto tempo permanecerão armazenados, se haverá compartilhamento com terceiros e como ocorrerá sua eliminação.

Principais riscos para as empresas

Entre os problemas mais comuns no uso de dados biométricos estão a coleta excessiva de dados e uso desproporcional; a falta de transparência aos titulares de dados; o armazenamento por prazo superior ao necessário; o compartilhamento com terceiros sem controles adequados; e a existência de falhas de segurança relevantes, que causem a vulnerabilidade dessas informações altamente sensíveis.

Também merece atenção o risco de utilização desses dados para finalidades diferentes daquelas inicialmente informadas aos titulares. Essa prática pode gerar questionamentos regulatórios, processos administrativos conduzidos pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e até ações judiciais, além de impactos reputacionais para a empresa.