As alterações promovidas pela Lei Complementar nº 224/2025 e regulamentada pelo Decreto nº 12.808/2025 e pela Instrução Normativa RFB nº 2.305/2025, introduziu alterações relevantes no regime do lucro presumido, impactando diretamente a forma de apuração do IRPJ e da CSLL. Dentre essas mudanças, destaca-se a previsão de acréscimo de 10% nos percentuais de presunção aplicáveis às empresas com faturamento anual superior a R$ 5.000.000,00, o que implica, na prática, a elevação da base de cálculo dos tributos e o consequente aumento da carga tributária.
A reclassificação do lucro presumido como “benefício fiscal”
A controvérsia se intensifica com a tentativa de enquadrar o lucro presumido como um suposto “benefício fiscal”. Essa leitura não se sustenta sob o ponto de vista técnico. O lucro presumido sempre foi estruturado como uma metodologia de apuração da base de cálculo, prevista em lei como alternativa ao lucro real e ao lucro arbitrado, com foco em simplificação operacional – e não como instrumento de incentivo ou renúncia fiscal.
Na prática, trata-se de um regime que envolve uma escolha estratégica. Ao adotá-lo, a empresa desiste de apurar seu resultado real, deixando de considerar custos e despesas efetivamente incorridos. Isso significa que, dependendo da sua margem, pode pagar mais tributos do que pagaria no lucro real. Ou seja, não há garantia de economia tributária, mas sim previsibilidade e simplificação operacional.
Por isso, a tentativa de enquadrar o lucro presumido como benefício fiscal se desvincula da sua função original e acaba servindo, na prática, como fundamento para justificar o aumento da carga tributária. Essa mudança de leitura altera a lógica do regime e gera preocupação quanto à sua utilização como instrumento arrecadatório.
Capacidade contributiva e aumento da base de cálculo
O aumento dos percentuais de presunção traz um ponto sensível: a relação entre tributação e capacidade econômica das empresas. A nova sistemática passa a considerar basicamente o faturamento como critério para ampliar a base tributável, sem levar em conta fatores essenciais como custos operacionais, estrutura de despesas e margens de lucro.
Esse novo cenário pode gerar distorções relevantes. Empresas com alto faturamento, mas com baixa margem de lucro – ou seja, que possuem custos e despesas elevados e, por isso, lucram pouco proporcionalmente ao que faturam – podem acabar sendo tributadas como se tivessem uma lucratividade maior do que a efetivamente apurada. Na prática, isso significa pagar imposto sobre um lucro “estimado” que não corresponde à realidade financeira do negócio.
Em cenários mais críticos, a tributação pode recair sobre valores que sequer representam ganho econômico. Isso compromete a lógica do IRPJ e da CSLL, cuja finalidade é tributar o lucro, e não a receita em si. O resultado é um aumento da carga tributária que nem sempre guarda relação com a real capacidade de pagamento da empresa.

















