Publicações
Compliance como investimento estratégico para seu negócio
24/02/2026
Programas de compliance sob medida reduzem riscos, fortalecem a governança e geram valor ao negócio.
Durante muito tempo, programas de compliance foram percebidos pelas empresas como um centro de custos: investimentos obrigatórios para atender exigências regulatórias, evitar multas e cumprir expectativas mínimas de governança.
No entanto, esse paradigma já foi superado em grande parte das empresas. Em um ambiente regulatório cada vez mais complexo e com riscos diversos crescentes, nas relações com parceiros, clientes e agentes públicos, o compliance deixa de ser um custo operacional e passa a ocupar papel estratégico na proteção do negócio e na geração de valor para as empresas.
Neste artigo, analisamos como programas de compliance estruturados sob medida para cada empresa podem se transformar em investimento, fortalecendo a governança, reduzindo riscos e contribuindo diretamente para a perenidade do negócio.
Programas de compliance eficazes vão além do atendimento formal à legislação. Quando bem estruturados, atuam como instrumentos de gestão que orientam decisões, organizam processos e reduzem incertezas regulatórias.
Na prática, isso significa identificar e priorizar riscos, definir responsabilidades, estabelecer controles internos e criar rotinas de monitoramento. O resultado é mais previsibilidade, respostas mais rápidas a desvios e maior consistência na condução dos negócios.
Além disso, ao fortalecer a cultura organizacional e a confiança de investidores, parceiros e clientes, o compliance contribui para a reputação e para a sustentabilidade do negócio.
Entre os efeitos práticos mais comuns, destacam-se:
• Redução da exposição a riscos regulatórios e reputacionais;
• Melhoria da tomada de decisões estratégicas;
• Agregação de valor à marca e reputação da empresa.
Ao atuar de forma preventiva, o compliance auxilia as empresas a evitarem custos futuros com sanções, litígios, investigações internas e crises reputacionais, convertendo o investimento inicial em economia de médio e longo prazo.
Um dos erros mais comuns das empresas é adotar programas de compliance genéricos, padronizados e desconectados da sua realidade operacional e dos riscos específicos do seu setor.
Esses modelos costumam não refletir os riscos reais do negócio, ter baixa aplicabilidade prática, não engajar colaboradores e não produzir evidências efetivas de diligência. Na prática, tornam-se custos administrativos, com impacto limitado na mitigação de riscos ou na melhoria da governança corporativa. Além disso, do ponto de vista regulatório, iniciativas genéricas tendem a ser avaliadas como menos robustas quanto à efetividade dos controles.
Para que o compliance se converta em investimento, é essencial que o programa seja moldado à realidade de cada empresa, considerando:
• Setor de atuação;
• Porte e estrutura organizacional;
• Mercados e jurisdições;
• Modelo de negócios;
• Riscos regulatórios, operacionais e reputacionais específicos; e
• A história e cultura de cada empresa.
Programas personalizados permitem a implementação de controles mais eficientes, políticas internas aderentes à prática e cultura empresarial, e mecanismos de monitoramento compatíveis com a complexidade do negócio.
Nenhum programa de compliance se transforma em investimento sem o engajamento da alta administração. A postura da liderança é o exemplo determinante para definir o tom ético da organização, priorizar recursos, especialmente nas áreas de risco, garantir autonomia e estrutura para a função de compliance e integrar o compliance à estratégia do negócio.
Não tem fórmula mágica, para extrair o real valor dos programas de compliance, as empresas devem fazer a lição de casa, passando pelas etapas:
• Avaliações periódicas de riscos;
• Priorizar áreas e processos críticos;
• Revisar e atualizar políticas internas, considerando as boas práticas comportamentais;
• Capacitar colaboradores e lideranças;
• Implementar controles e monitoramento contínuo;
• Produzir e manter evidências de conformidade (registros de treinamentos, avaliações de risco e ações de mitigação).
A área de compliance deve estar sempre próxima das equipes, da liderança e ser envolvida nas discussões de negócios. A estratégia principal do compliance deve ser de escuta, parceria e a busca de alternativas que possibilitem a continuidade dos negócios da maneira correta!
Programas de compliance personalizados deixam de ser custo quando passam a proteger o negócio de forma efetiva, reduzir riscos concretos e fortalecer a governança corporativa. Ao alinhar compliance à estratégia empresarial, a empresa transforma conformidade em vantagem competitiva e valor para a sua marca.
Ignorar a personalização do programa e investir em modelos genéricos representa não apenas desperdício de recursos, mas a manutenção de riscos relevantes para o negócio.
Eduardo Olmos Valverde
[email protected]