Ano agitado, cenário de bastante exposição pública e circulação de muitas informações. É neste momento que Compliance se torna uma peça-chave na prevenção de riscos legais, operacionais e reputacionais.

O ano de 2026 reúne dois contextos de grande impacto social, econômico e institucional: a Copa do Mundo e as Eleições Presidenciais. À primeira vista, esses eventos podem parecer distantes da rotina corporativa, mas ambos podem causar impactos relevantes na sociedade.

Para mencionar alguns: intensificação de interações sociais (digitais ou físicas), circulação e compartilhamento de informações (verdadeiras ou não), patrocínio de eventos, oferta de brindes e presentes, discordâncias e críticas, dentre outros.

Contudo, com o aumento de conexão, troca e engajamento, a margem para falhas também poderá aumentar, desde vazamentos de dados até associações indevidas da marca e o descumprimento legal. Não se trata apenas de risco jurídico, pois o impacto poderá envolver a confiança dos clientes da empresa.

As empresas que possuem um Compliance bem estruturado assumem posição vantajosa na antecipação de riscos e ação proativa para proteger seus negócios e relacionamentos de maneira adequada.

5 RISCOS QUE DEVEM ESTAR NO RADAR DE COMPLIANCE EM 2026:

Sob essa perspectiva, a atuação preventiva é essencial para mitigar, principalmente, os seguintes riscos:

1. Uso indevido de dados pessoais: ações relacionadas a campanhas promocionais, cadastros e sorteios podem resultar em coleta excessiva, falta de transparência ou uso inadequado de dados pessoais de participantes, internos ou externos da empresa. Este risco poderia causar a violação de diversas legislações, incluindo a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

2. Reputacional: a associação da empresa a figuras políticas ou manifestações/opiniões públicas poderão ser mal interpretadas e desgastar a confiança das partes interessadas. O cuidado deverá ser redobrado em ações de engajamento, patrocínio de eventos, doações, dentre outros.

3. Fraudes e golpes: eventos de grande escala costumam ser acompanhados por aumento de phishing, engenharia social, perfis falsos, comunicações fraudulentas e tentativas de obtenção indevida de informações. Muitas vezes, o golpista poderá utilizar o nome ou estrutura da empresa para aplicar golpes.

4. Condutas inadequadas de colaboradores: publicações em redes sociais, compartilhamento de conteúdo sensível ou comportamentos incompatíveis com políticas internas podem gerar responsabilização e crise.

5. Exposição por condutas de terceiros: fornecedores, parceiros, agências e prestadores de serviços poderão expor as empresas com quem se relacionam, caso sejam responsáveis por incidentes de segurança, descumprimento regulatório, decisões unilaterais sobre campanhas e doações, e outras circunstâncias.

COMO O COMPLIANCE DEVE ATUAR?

A resposta não está em medidas isoladas, mas em um conjunto coerente de ações já conhecidas das equipes de Compliance, sendo as mais importantes nesse contexto:

● Reforçar comunicado e treinamento de políticas internas, especialmente as relacionadas a proteção de dados, uso de redes sociais, comunicação institucional, relacionamento com terceiros e resposta a incidentes.

● Promover treinamentos direcionados para lideranças, com orientações práticas sobre condutas esperadas, gestão de crises, identificação de riscos e cuidados com informações e posicionamentos públicos.

● Monitorar de perto os pontos críticos, como: patrocínios de eventos, doações, campanhas de marketing, relatos nos canais de denúncia, comunicações sensíveis e sinais de fraude.
● Revisar terceiros estratégicos e de alto risco, realizando due diligence, estabelecendo obrigações em cláusulas contratuais e verificando se possuem medidas mínimas de integridade e segurança da informação.

● Estruturar um plano de resposta, com fluxos definidos para tratamento de incidentes e gestão de crises, garantindo alinhamento entre áreas, contenção de danos e comunicação adequada em situações críticas.

QUAL É O GANHO PARA A EMPRESA?

Ao se antecipar, a empresa reduz a chance de violações, protege sua reputação, fortalece a governança e demonstra maturidade institucional. Em um ano de maior sensibilidade pública, um Compliance bem estruturado funciona como instrumento de proteção do negócio, continuidade operacional, além de reforçar a confiança e agregar valor aos negócios.

A coincidência entre Copa do Mundo e Eleições no mesmo ano, transforma 2026 em um período que exige atenção redobrada das empresas. Quanto maior a exposição, maior também a necessidade de controles, capacitação interna e preparo para respostas. Investir em Compliance, nesse contexto, é adotar uma postura preventiva diante de riscos que podem afetar não apenas a conformidade, mas também a reputação e a durabilidade do negócio.

Autor

Eduardo Olmos Valverde

Giovanna Carbonezze Feres Crotti

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